Nascer do sol, panorâmica. Dezembro de 2006, Florianópolis.
Têm dias em que nada disso acontece, ou pior, em que apenas uma dessas coisas não acontece, anulando todas as demais. Estes são os dias ruins, cujos resultados ficam guardados numa pasta chamada ‘refugo’, bem escondida no fundo de uma gaveta. Porém, os dias bons também existem.
As imagens exibidas nesta postagem foram todas criadas no mesmo dia. Este foi um dia especialmente produtivo. É lógico que o meu “ponto de corte” é muito inferior ao de Ansel Adams. Mesmo assim, destes quatro anos e meio em que fotografo, resultaram cerca de 90 imagens do acervo de TAO fotografia. Logo, cinco imagens significantes num mesmo dia, num intervalo de poucas horas, é uma ocasião em que as coisas realmente deram certo.
A maneira como consegui obtê-las resume, de certa forma, o processo de criação de imagens significantes. Antes de tudo, as coisas só dão certo quando possibilitamos que elas dêem certo. Nesse dia, acordei em torno das 05:00. Saí do acampamento na lagoa da conceição e peguei o primeiro ônibus do dia rumo à praia mole, onde todas as imagens foram feitas. Antes disso, claro, minha câmera já estava arrumada, filme certo (KODAK Ecktachrome, E100VS), tripé, etc.
Chegar cedo é a primeira coisa que tem que dar certo. A segunda é torcer para que o clima ajude. Um bocado de sorte está envolvido no trabalho do fotógrafo de natureza, mas uma boa dose de motivação (e algumas noites mal dormidas) também.
Na primeira imagem, gosto da maneira que os morros dão balanço a imagem, conduzindo o olhar do escuro (lado direito), para um degrade de cores que segue a ordem cronológica do nascer do sol (na seqüência, tons azuis, magenta, vermelhos, laranjas e amarelos). Gosto também do aspecto do mar, pois me passa uma sensação de tensão, de movimento contido. Também tem um aspecto de pintura, de algo não fotográfico, que normalmente me agrada.
Já na segunda imagem, gosto especialmente da maneira como as nuvens conduzem o olhar em direção à ilha. Gosto também do aspecto de ‘fogo’ destas nuvens e da tensão noite/dia que foi registrada. Embora seja um detalhe pequeno, a luz de uma estrela se faz presente, o que enfatiza esta tensão.
Nascer do sol 5. Dezembro de 2006, Florianópolis.
A quinta imagem foi criada num momento posterior, com o sol já erguido no horizonte. Embora seja uma imagem mais convencional (mais repetida), gosto do aspecto do sol incompleto, saindo das nuvens, o que enfatiza o seu movimento, sua revelação. A composição buscou valorizar esse elemento, pois coloquei o sol no terço inferior da imagem, indicando que este ainda tem um caminho a percorrer. O sol levemente descentralizado cria uma certa instabilidade na imagem, que atrai a atenção.
Enfim, neste dia as coisas deram certo. Num misto de dedicação, sorte e inspiração, consegui combinar todos os elementos para criar imagens que me agradam muito. Acho que elas transmitem o que sinto ao admirar o espetáculo da natureza, no surgimento de mais um dia. Que mais se pode pedir?





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