
Tudo começou no pátio da minha casa. Eu Estava conversando com minha futura esposa durante uma agradável tarde de sol, quando reparei a pequena laranjeira plantada ao lado do muro. Coloquei-me a pensar sobre a complexidade daquela árvore em contraste com a simplicidade de um muro. Ou, de modo mais geral, pensava sobre a complexidade da natureza e a simplicidade das coisas artificiais.
A natureza faz-se por si mesma em infinitas formas, texturas e tonalidades. A natureza não se repete jamais, seja entre dois seres de uma espécie, seja entre dois dias de uma estação. Vida e natureza se moldam mutuamente, limitadas tão somente pela necessidade de se manterem unidas, para sempre.

Tronco com ramo verde. Maio de 2009, Lages.
Já o homem constrói um mundo para se afastar da natureza. Constrói casas, linhas, paredes, planos, ruas, ângulos e um sem fim de objetos. Constrói pela necessidade de construir e de destruir. Constrói coisas que nunca antes existiram, coisas artificiais que só a sua imaginação de homem consegue imaginar. O homem não consegue, porém, construir qualquer coisa que se assemelhe a vida. Então, recorre à natureza para se completar.
Árvore entre nós. Abril de 2009, Lages.
Esta série fotográfica é uma investigação sobre o curioso convívio entre formas naturais e humanas que surge nas cidades, seja pela ação do homem, pelo mero acaso ou pelo abandono. Procuro com estas imagens entender um pouco melhor este convívio, seus resultados, suas origens e conseqüências.
A origem deste convívio parece estar em uma necessidade humana, a de completar nosso mundo com formas naturais. Isto se percebe pela quase onipresença de formas vegetais em jardins e ruas das cidades. Tentei expressar isto em “árvore entre nós”, que aparece acima.

Em imagens como “folhas sobre parede” e “verde sobre rosa”, procuro demonstrar como se expressam as diferenças entre natural e artificial, em termos de formas, cores e texturas. Em “hortênsia sobre muro escuro”, o contraste não só é evidente, como demonstra a propriedade viva do natural contra a pobreza do artificial.
Percebe-se que o homem, esta criatura criadora, não se priva de manipular e construir o seu mundo. Embora utilize às formas naturais, ele procura enquadrá-las no seu código, alterando as propriedades dos seres vivos. Tenta imprimir-lhes características artificiais como a simetria, a repetição e a planificação.

Pequena Planta na calçada. Abril de 2009, Lages..
As conseqüências disso, às vezes estranhas, às vezes terríveis, estão expressas em imagens como “Pequena planta na calçada”, “Tronco sobre fundo verde” e “arbusto seco sobre alvenaria”, entre outras.


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