sobre o autor

Nascido no Rio Grande do Sul em 1981, meu interesse pela fotografia surgiu em 2004, após concluir a graduação em Ciências Biológicas. Atualmente, vivo em Lages/SC.

Inicialmente, minha idéia era unir biologia e fotografia, embora a forma dessa união não estivesse muito clara. Na época, eu acreditava que isso devia envolver fotografar animais, no que nunca tive muito sucesso.

Ainda em 2004, freqüentei o curso de Fotografia Ambiental da UFRGS, onde meu interesse por fotografia de paisagens ganhou força. Desde então, tenho lido e estudado sobre diversos aspectos da fotografia. Tenho especial interesse em fotografia como arte e forma de expressão. Quando saio para fotografar, procuro registrar a beleza e sutileza do mundo natural. Procuro sempre imagens que transmitam mais inspiração do que informação.


O TAO fotografia é a nova etapa na divulgação do meu trabalho. Através deste blog, procuro compartilhar minhas imagens bem como o processo de criação destas, além de outros pensamentos e reflexões sobre fotografia. Para entrar em contato, mande uma mensagem para taofotografia@yahoo.com.br

Galerias

Minhas fotografias estão organizadas nas galerias que seguem:

As imagens estão disponíveis para aquisição nos seguintes tamanhos:
1. Formato convencional

  • 30 x 45 cm
  • 40 x 60 cm
  • 50 x 75 cm
  • 60 x 90 cm

2. Panorâmicas (imagens selecionadas)

  • 30 x 90 cm
  • 50 x 150 cm
  • 60 x 100 cm

Todas as fotografias foram registradas em filme fotográfico profissional e digitalizadas em scanners de alta resolução, garantido ótima qualidade nas ampliações. As imagens são impressas em papel fotográfico de alta qualidade, com diversas opções de acabamento e molduras.

Painéis temáticos com duas, três ou mais imagens também estão disponíveis. Consulte os tamanhos disponíveis.

Como comprar

A compra das imagens de TAO fotografia pode ser feita usando o sistema PagSeguro. O PagSeguro é um sistema desenvolvido pelo UOL de pagamentos online que permite que indivíduos e empresas possam enviar e receber pagamentos com eficiência e segurança. Atualmente, o pagamento pode ser feito por transferências bancárias e boletos

O Pagamento Seguro é uma forma de aumentar a segurança nas transações entre compradores e vendedores. Ao comprar um item e escolher pagar com PagSeguro, após o pagamento o comprador tem até 14 dias para receber o produto ou serviço, avaliar se está de acordo com o que foi combinado, e caso não esteja, poderá bloquear o pagamento, através da abertura de uma Disputa. Veja como funciona o PagSeguro clicando aqui.




Visite as galerias, escolha a sua favorita, anote o número de referência e mande uma mensagem para: taofotografia@yahoo.com.br. Você irá receber uma resposta informando o valor do seu pedido. Após a confirmação de interesse na compra, você irá receber uma nova mensagem com a cobrança pelo sistema PagSeguro. É simples.

Resiliência



Com otrabalho acima (clique na imagem para ampliar), participei da exposição coletiva 'Pretexto Contemporâneo', realizada pelo departamento de cultura do SESC Santa Catarina. 
Este trabalho é o resultado de uma investigação sobre a capacidade da natureza de ressurgir, de se recuperar dos impactos causados pela atividade humana. Como está informado na imagem, resiliência é a capacidade de um ecossistema retornar à condição de original de equilíbrio após suportar alterações ou perturbações.
Em biologia, este termo é mais aplicado em estudos de ecologia de ecossistemas e como estes respondem a impactos como queimadas, fragmentação ou perda de habitats, etc. Nesta série fotográfica, procurei enfatizar a capacidade da natureza (especialmente das plantas) de ressurgir no espaço urbano.
Brinco com a questão da "condição de equilíbrio", ao sugerir que esta não é nossa tão buscada urbanização, mas sim o retorno do selvagem, do mato e do verde. Nas cidades, percebe-se que ao menor sinal de abandono, que ao mais leve relaxamento da tensão incidente sobre a natureza, esta ressurge e o equilíbrio enfim se impõe.
Resiliência é ainda um projeto em andamento. Veja as outras imagens desta série que fiz até o momento, clicando aqui.

Curioso convívio


Ficus em frente à janela. Abril de 2009, Lages.

Tudo começou no pátio da minha casa. Eu Estava conversando com minha futura esposa durante uma agradável tarde de sol, quando reparei a pequena laranjeira plantada ao lado do muro. Coloquei-me a pensar sobre a complexidade daquela árvore em contraste com a simplicidade de um muro. Ou, de modo mais geral, pensava sobre a complexidade da natureza e a simplicidade das coisas artificiais.

A natureza faz-se por si mesma em infinitas formas, texturas e tonalidades. A natureza não se repete jamais, seja entre dois seres de uma espécie, seja entre dois dias de uma estação. Vida e natureza se moldam mutuamente, limitadas tão somente pela necessidade de se manterem unidas, para sempre.


Tronco com ramo verde. Maio de 2009, Lages.

Já o homem constrói um mundo para se afastar da natureza. Constrói casas, linhas, paredes, planos, ruas, ângulos e um sem fim de objetos. Constrói pela necessidade de construir e de destruir. Constrói coisas que nunca antes existiram, coisas artificiais que só a sua imaginação de homem consegue imaginar. O homem não consegue, porém, construir qualquer coisa que se assemelhe a vida. Então, recorre à natureza para se completar.


Árvore entre nós. Abril de 2009, Lages.

Esta série fotográfica é uma investigação sobre o curioso convívio entre formas naturais e humanas que surge nas cidades, seja pela ação do homem, pelo mero acaso ou pelo abandono. Procuro com estas imagens entender um pouco melhor este convívio, seus resultados, suas origens e conseqüências.

A origem deste convívio parece estar em uma necessidade humana, a de completar nosso mundo com formas naturais. Isto se percebe pela quase onipresença de formas vegetais em jardins e ruas das cidades. Tentei expressar isto em “árvore entre nós”, que aparece acima.


Folhas sobre parede (esq) e verde sobre rosa (dir). Abril de 2009, Lages.

Em imagens como “folhas sobre parede” e “verde sobre rosa”, procuro demonstrar como se expressam as diferenças entre natural e artificial, em termos de formas, cores e texturas. Em “hortênsia sobre muro escuro”, o contraste não só é evidente, como demonstra a propriedade viva do natural contra a pobreza do artificial.

Percebe-se que o homem, esta criatura criadora, não se priva de manipular e construir o seu mundo. Embora utilize às formas naturais, ele procura enquadrá-las no seu código, alterando as propriedades dos seres vivos. Tenta imprimir-lhes características artificiais como a simetria, a repetição e a planificação.


Pequena Planta na calçada. Abril de 2009, Lages..

As conseqüências disso, às vezes estranhas, às vezes terríveis, estão expressas em imagens como “Pequena planta na calçada”, “Tronco sobre fundo verde” e “arbusto seco sobre alvenaria”, entre outras.



Porém, o convívio é mais do que mera sobreposição de diferenças. É, antes, uma interação entre estas. E de que infinitas maneiras este convívio acontece, em cada rua, em cada esquina. Que este ensaio seja o convite para uma observação mais atenta da natureza que se encontra tão perto de nós.

Veja todas as imagens desta série aqui.


Mar de fora. Setembro de 2008, Florianópolis.

As três imagens da série Mar de Fora foram feitas no mesmo dia, durante uma volta de barco no litoral norte e leste da ilha de Floripa. Explorar um pouco o mar ao redor desta ilha é um lição sobre a imponência do planeta e sobre a persistência da vida.

 Ao redor de Floripa, existem diversas ilhas de todos os tamanhos e formatos. É incrível como a vida consegue prosperar em ambientes tão hostis para o ser humano. É impossível conceber que alguém sobreviva ali pouco mais do que alguns instantes. A força do mar, dos ventos e do sol , a ausência de todos os bens e confortos que nos são necessários é gritante.

Tentei transmitir estas impressões nas três imagens desta série. As duas primeiras imagens falam da força do nosso planeta. Há quantos milhões de anos estas ilhas estão ali, resistindo ao mar, aos ventos e tempestades? Mesmo assim, levantam-se imponentes em direção ao céu, desafiantes.

 Na primeira imagem, representei a ilha pequena no quadro. O céu é dominante nesta foto, dando uma noção do tamanho da ilha em relação ao todo. Isto quer representar, na verdade, a insignificância do nosso tamanho em relação ao todo. Já a onda quebrando no canto esquerdo da imagem transmite mais força e ação à imagem. Tive de esperar por este momento, pois a imagem ficaria muito estática sem esta onda. 

Na segunda imagem a ilha domina o quadro. Os detalhes desta ilha, as rochas cortadas irregularmente em todas as direções, dão uma forte impressão de um ambiente estéril, como um deserto, onde o homem não é bem-vindo. O formato triangular desta e da outra ilha dão uma forte noção de energia, de força. Nesta, porém, o céu escuro parece desafiar a ilha, impondo um peso enorme sobre ela.

 A terceira imagem, Hostil, fala da insistência da vida na luta contra as forças do planeta. As aves, especialmente as gaivotas, fizeram destas ilhas tão hostis uma oportunidade para prosperar. Milhares delas ocupam a maioria das ilhas do Mar de fora, seja para reproduzir ou para descansar e se alimentar.

 Tentei caracterizar o ambiente principalmente no choque da onda, que parece querer expulsar qualquer um.  Porém, a forma irregular da ilha e a luz forte, dura, que reflete fortemente na rocha realçam a hostilidade do ambiente. O céu branco, vazio, também parece mostrar que ali não é um lugar próprio para a vida.

 Mesmo assim, a gaivota está lá, forte e pronta para lutar, para viver. Embora cercada de forças que a repelem, ela mostra suas asas e, assim, exibe a força da vida em se adaptar.

Complementar

Complementar. Dezembro de 2006, Florianópolis.

 Esta imagem foi feita na praia de Moçambique, uma das praias mais conservadas e belas da ilha. Moçambique não tem muitas construções por fazer parte do Parque Florestal do Rio Vermelho, no leste de Floripa.

Nesta imagem, procurei demonstrar a variedade da natureza e como ela é completa em si mesma, como ela se complementa de diversas maneiras. O que logo chama atenção nesta imagem são as diferentes formas das plantas no primeiro plano. Estas plantas também dão ritmo à imagem, pois da esquerda para a direita elas vão ganhando formas mais suaves e agradáveis.

O elemento comum em todas as plantas é se direcionar para cima, em busca do céu, em busca da vida. Neste sentido, elas se complementam com o fundo, um céu de um azul claro e cheio de vida. O céu parece envolver e sustentar as plantas, como de fato acontece. É do céu que elas tiram o seu principal sustento.  As nuvens e a lua complementam a riqueza do céu e a variedade de elementos da natureza.

Contrastando com o azul do céu temos o verde, o amarelo e o vermelho das plantas. Assim, a imagem apresenta todas as cores primárias da natureza: o azul, o verde e o vermelho (cores aditivas) e o azul, o amarelo e o vermelho (cores subtrativas). A presença de todas as cores é um elemento chave para a harmonia de cor.

A harmonia, como diz o dicionário, é a combinação perfeita entre as coisas. Harmonioso é algo agradável. A harmonia de cor é obtida quando temos todo o círculo cromático em uma imagem. Isto passa ao cérebro a sensação de algo completo, em equilíbrio, que permite visualizar a imagem calmamente.

O conjunto olho/cérebro é feito para identificar contrastes. Ele sempre busca diferenciar elementos e objetos na paisagem pela separação de cores e brilhos. Quando mostramos uma imagem onde não existe uma cor, o olho sente essa falta. Ele percebe um desequilíbrio e busca a cor que está faltando. 

Podemos alcançar a harmonia de cor direta ou indiretamente. As imagens podem conter as três cores primárias ou também duas cores em contraste complementar. Os contrastes complementares ocorrem entre cores opostas no círculo cromático, de modo que temos todas as cores. 

Isto não quer dizer que as imagens devem ser sempre harmoniosas. Algumas imagens são interessantes justamente por estar em desarmonia.Este incômodo pode ser usado para provocar e chamar atenção na foto. Porém, temos de ter consciência deste efeito das cores na interpretação das imagens. Depois de definirmos se queremos provocar ou agradar, devemos buscar as cores que nos ajudam. Nesta imagem, a idéia era falar sobre como a natureza é completa e diversa. Logo, a harmonia de cor contribuiu para transmitir a mensagem desejada.

Outro aspecto importante desta imagem é a síntese. Dizem que fotografia é a arte da exclusão, pois o fotógrafo começa o seu trabalho com a “tela” cheia e vai eliminando o que não precisa. Muitas fotos falham em transmitir idéias pelo excesso. Este é o erro no. 1 de quem está começando a estudar fotografia.

Aquilo que não colabora para a imagem atrapalha terrivelmente. Devemos eliminar tudo o que for desnecessário.Mesmo nesta imagem, que buscava mostrar a diversidade, a riqueza da natureza, escolhi um assunto simples, um corte pequeno.  O pouco, como se nota, muitas vezes é mais do que o muito.

Essência

Essência. Agosto de 2008, Florianópolis.

Fiz esta imagem no Caminho dos Açores, um lugar tranqüilo e perfeito para caminhadas sem compromissos. O Caminho dos Açores leva de Cacupé até Santo Antônio de Lisboa, um bairro muito bonito aqui de Floripa, onde as raízes portuguesas ainda estão bem visíveis.

Gosto desta imagem, pois ela transmite bem a essência deste local. A essência, como diz o dicionário, é aquilo que é mais básico em algo ou alguém. É a ideia central. A essência é, muitas vezes, algo que associamos diretamente a uma pessoa, lugar objeto ou situação.

Fotografar a essência de um lugar, pessoa ou objeto é um constante desafio. As imagens do fotojornalismo são um bom exemplo disto. No fotojornalismo, busca-se sempre a imagem que consegue transmitir o contexto, capturar o todo em um pequeno corte. 

Na fotografia de natureza é semelhante. Procuramos entender o mundo a nossa volta e representar a essência da paisagem e dos elementos do mundo natural. Nesta imagem do Caminho dos Açores, por exemplo, procurei captar a sensação de tranqüilidade e de repouso, que para mim são marcantes neste local.

Para que a fotografia tenha sucesso, o processo de “tirar a fotodeve ser orientado de acordo com a ideia transmitida. Pode-se dizer que a ideia é a essência de uma boa foto. Com um objetivo marcado, procurei elementos que pudessem transmitir a ideia desejada.

Acabei encontrando esta cena, numa pequena praia um pouco escondida atrás de árvores e rochas. Ali, o barco à deriva, o mar calmo e as linhas suaves dos morros ao fundo são a imagem do repouso e de tempos tranquilos.

Convite

Convite. Abril de 2008, Florianópolis.

Esta imagem foi feita em Sambaqui, numa manhã nublada enquanto uma tempestade se armava em Floripa. Nos instantes antes da tempestade, o vento forte e abafado levantava poeira e agitava as árvores, como que nos desafiando a encarar a natureza.

O trapiche me chamou a atenção pois me transmitiu uma ideia de convite, de aceitar este desafio e descobrir a força e a beleza da natureza. Acredito que a imagem teve sucesso pois todos os elementos da composição contribuíram para esta ideia. Gostaria de analisar rapidamente os elementos principais da composição desta imagem.

O preto e branco favorece bastante esta foto, pois enfatiza as suas linhas e formas.  Em geral, interpretamos os tons mais escuros como mais pesados que os tons mais claros. Assim, a lógica é que os tons mais escuros fiquem embaixo e os mais leves em cima, como ocorre nesta imagem. Seguindo esta lógica, os tons escuros das nuvens indicam um peso considerável, muito maior que o céu, mais claro.

O primeiro plano da imagem nos passa a ideia de caminho, de sobrepor obstáculos e progredir. O tom escuro do trapiche quase se funde ao mar, como que dominado por este. As nuvens, pesadas e ameaçadoras, chamam atenção e parecem avançar sobre a cidade. Deixei as nuvens ocupar um bom espaço da imagem para dar esta sensação de predominância e de potência. Esta sensação é intensificada pela comparação entre as nuvens e os morros ao fundo. 

 As linhas do primeiro plano conduzem o olhar do observador do canto inferior direito, passando  pela baía, até o canto superior esquerdo, onde está a maior tensão da imagem, onde as nuvens parecem se deslocar por sobre a cidade. Os morros ao fundo também reforçam um movimento da direita para a esquerda. Já as linhas das nuvens, confusas e sobrepostas, indicam tensão e força. 


Horizonte

Horizonte. Dezembro de 2006, Florianópolis.

Fiz esta imagem quando estava visitando o forte de anhatomirim, na baia norte. Embora o forte pertença à cidade de Gov. Celso Ramos, é um belo passeio para se fazer saindo daqui de Floripa.

A idéia desta imagem é expressar algo que sinto freqüentemente quando saio para fotografar em Floripa. São comuns as imagens da árvore isolada. É um assunto bastante explorado. Acho que este tema nos passa uma idéia de força, de resistência, de perseverança.  Como Winstow Churchill disse,

Árvores solitárias, se crescem, crescem forte.

Porém, este não é o tema dessa foto. Pelo menos, não é o que quis expressar. Nesta árvore, faltam justamente estes atributos. Poucas pessoas associariam estas qualidades a uma árvore seca, frágil e retorcida.

Então qual é o tema desta imagem? O título nos dá uma dica: horizonte. O horizonte é o que nos envolve, aquilo que almejamos e que define os limites da nossa percepção. Nessa imagem, eu resolvi “jogar” um pouco com este assunto. Quando pensamos no horizonte, pensamos (e fotografamos) normalmente um espaço amplo, aberto, com o céu predominando. 

Aqui em Floripa, porém, muitas vezes parece que o mar é o verdadeiro horizonte. Aqui, podemos ver sol nascer e se pôr no mar. Por este motivo, o mar que nos rodeia acaba tomando conta da paisagem de Florianópolis. Para fazer esta foto expressar a minha idéia, procurei um ponto mais alto, de modo que a árvore se projetasse completamente na frente do mar. Isso reforça a idéia de se estar envolvido por ele.

O azul do mar acaba contribuindo para esta “brincadeira” na imagem, já que está num tom semelhante ao do céu. Foi importante enquadrar as folhagens no canto inferior direto da foto, que prendem a árvore no chão, impedindo a imagem de passar a impressão de uma árvore solta, perdida.

Um aspecto mais sutil desta imagem, que acabamos assimilando sem perceber, é a noção de espaço. Esta não é a imagem de um horizonte amplo, mas sim de um espaço confinado, fechado. Minha idéia com isto foi passar um pouco a sensação de se estar “ilhado”. Embora o mar nos pareça infinito e amplo, quase tanto quanto o céu, ele nos restringe, nos isola e nos separa. Sabemos que o mar é um lugar que não podemos simplesmente “ir”, explorar, avançar. Com uma composição bem fechada na árvore, consegui expressar as duas idéias que buscava. Este, afinal, é o papel principal da composição.

Quando as coisas dão certo


Nascer do sol, panorâmica. Dezembro de 2006, Florianópolis.


Ansel Adams, eterna referência, disse que doze fotografias significantes por ano são uma boa produção para um fotógrafo. Apesar da facilidade atual de se produzir 1000 fotos por dia, acho que Adams está certo.
Fotografias significantes, no contexto da citação de A. Adams, são as que merecem ser mostradas. São fotografias que conseguem expressar o que o fotógrafo sentiu ao criá-las. Enfim, fotografias significantes são aquelas que surgem quando as coisas dão certo.

O termo as coisas inclui um sem número de fatores. Para que as coisas dêem certo, o tempo tem de ajudar, a luz deve estar perfeita, o assunto deve estar no ângulo certo, o fundo deve colaborar para a imagem e, acima de tudo, alguém tem de estar lá com uma câmera e com a mente atenta. Além disso, claro, a câmera tem de funcionar, o tripé não pode tremer, o filme têm que ser bem revelado, etc.

Têm dias em que nada disso acontece, ou pior, em que apenas uma dessas coisas não acontece, anulando todas as demais. Estes são os dias ruins, cujos resultados ficam guardados numa pasta chamada ‘refugo’, bem escondida no fundo de uma gaveta. Porém, os dias bons também existem.

As imagens exibidas nesta postagem foram todas criadas no mesmo dia. Este foi um dia especialmente produtivo. É lógico que o meu “ponto de corte” é muito inferior ao de Ansel Adams. Mesmo assim, destes quatro anos e meio em que fotografo, resultaram cerca de 90 imagens do acervo de TAO fotografia. Logo, cinco imagens significantes num mesmo dia, num intervalo de poucas horas, é uma ocasião em que as coisas realmente deram certo.

A maneira como consegui obtê-las resume, de certa forma, o processo de criação de imagens significantes. Antes de tudo, as coisas só dão certo quando possibilitamos que elas dêem certo. Nesse dia, acordei em torno das 05:00. Saí do acampamento na lagoa da conceição e peguei o primeiro ônibus do dia rumo à praia mole, onde todas as imagens foram feitas. Antes disso, claro, minha câmera já estava arrumada, filme certo (KODAK Ecktachrome, E100VS), tripé, etc.

Chegar cedo é a primeira coisa que tem que dar certo. A segunda é torcer para que o clima ajude. Um bocado de sorte está envolvido no trabalho do fotógrafo de natureza, mas uma boa dose de motivação (e algumas noites mal dormidas) também.



Nascer do sol 1. Dezembro de 2006, Florianópolis.


Chegar antes do amanhecer é importante, tanto para se preparar com calma, quanto para registrar a primeira luz do dia. As duas primeiras imagens foram feitas na primeira luz. Essa luz dura muito pouco e é difícil de ser registrada. Nosso olho não a percebe da mesma forma que o filme, especialmente em longas exposições (entre 2 e 10 segundos, nestas fotos). Com a câmera firme no tripé, busquei uma composição que valorizasse esta luz, na sua riqueza de tonalidades e saturação.

Na primeira imagem, procurei comparar as tonalidades do céu e do mar. Já na segunda, colocando o horizonte no terço inferior da imagem, enfatizei o céu, naquela mistura de cores quentes e frias.
Além da luz, a composição é um dos principais elementos que definem a qualidade da imagem. Ao contrário da primeira, porém, esta depende primordialmente do fotógrafo. É preciso sempre procurar elementos para valorizar as imagens e não depender apenas da ‘beleza da paisagem’ para tentar criar fotos significantes. Todos já viram centenas de fotos do nascer e pôr do sol. Criar algo realmente interessante nestas condições não é tão fácil quanto pode parecer.

Na primeira imagem, gosto da maneira que os morros dão balanço a imagem, conduzindo o olhar do escuro (lado direito), para um degrade de cores que segue a ordem cronológica do nascer do sol (na seqüência, tons azuis, magenta, vermelhos, laranjas e amarelos). Gosto também do aspecto do mar, pois me passa uma sensação de tensão, de movimento contido. Também tem um aspecto de pintura, de algo não fotográfico, que normalmente me agrada.





Nascer do sol 2. Dezembro de 2006, Florianópolis.


Já na segunda imagem, gosto especialmente da maneira como as nuvens conduzem o olhar em direção à ilha. Gosto também do aspecto de ‘fogo’ destas nuvens e da tensão noite/dia que foi registrada. Embora seja um detalhe pequeno, a luz de uma estrela se faz presente, o que enfatiza esta tensão.




Nascer do sol 3. Dezembro de 2006, Florianópolis.



Considero a imagem 3 como uma das mais ‘gráficas’ que já fiz. As rochas exibidas como silhueta ganham ênfase na forma. Buscar formas atraentes na paisagem é um dos melhores elementos de composição. Nesta foto, a coloração do céu parece formar um círculo, com os tons mais quentes na extremidade. Isto conduz o olhar ao longo de toda a imagem, enfatizando o contraste céu/rochas.

A imagem 4 (panorâmica, exibida acima) talvez seja a minha favorita deste dia. Fiz uma grande ampliação (60 x 150 cm) para o local onde trabalho, que é como ela deveria ser apreciada. O mesmo efeito da imagem anterior foi utilizado, com ênfase na forma das rochas. O elemento sorte acabou pousando na rocha à direita, na forma de uma gaivota, o que valorizou bastante a imagem e a torna bastante única.




Nascer do sol 5. Dezembro de 2006, Florianópolis.


A quinta imagem foi criada num momento posterior, com o sol já erguido no horizonte. Embora seja uma imagem mais convencional (mais repetida), gosto do aspecto do sol incompleto, saindo das nuvens, o que enfatiza o seu movimento, sua revelação. A composição buscou valorizar esse elemento, pois coloquei o sol no terço inferior da imagem, indicando que este ainda tem um caminho a percorrer. O sol levemente descentralizado cria uma certa instabilidade na imagem, que atrai a atenção.

Enfim, neste dia as coisas deram certo. Num misto de dedicação, sorte e inspiração, consegui combinar todos os elementos para criar imagens que me agradam muito. Acho que elas transmitem o que sinto ao admirar o espetáculo da natureza, no surgimento de mais um dia. Que mais se pode pedir?

Detalhes da natureza

Detalhes da natureza, 2007.

A criação de painéis consiste na combinação de imagens que de alguma forma interagem. A união destas fotos transmite uma mensagem nova, algo que está contido nas imagens isoladas, porém não de forma completa. Mais sobre isto foi discutido no post 'Seqüência'.

As três imagens combinadas neste painél se relacionam de diversas formas. A idéia principal é explorar os pequenos fragmentos da paisagem. A mensagem em comum aqui é que nos pequenos detalhes está contida a essência do todo, da natureza e da vida.

A combinação destas imagens nos mostra três elementos básicos da natureza, água, plantas e terra. Gosto da maneira como água e plantas aparecem diferentes a cada par de fotos. Isso permite interpretarmos a imagem como três diferentes pares, o que acrescenta interesse ao conjunto.

Numa abordagem mais gráfica, temos uma combinação interessante de cores. As imagens de detalhes costumam apresentar predominância de uma tonalidade específica e são intepretadas pelo nosso cérebro como mais coloridas do que grandes paisagens, com diversos objetos de cores distintas.

Também podemos interpretar neste painél três estágios diferentes da vida, percebendo também a relação da água com cada um destes. A fluidez da cachoeira nos mostra mudança, as gotas na folha, abundância, e a terra seca, a ausência, o final. A ordem das imagens também pode dizer algo sobre a evolução natural da vida, em crescimento, plenitude e fim.

Por permitir tantas interpretações, os painéis são formas do fotógrafo expandir o seu trabalho. Painéis também são ótimos para decorar ambientes amplos. Fiz uma ampliação em tamanho 60 x 120 cm deste painél, para a empresa onde trabalho. Visualizar a imagem aqui dificilmente se compara ao resultado na parede. Saiba como adquirir minhas imagens em 'Como comprar'.

Seqüência

Seqüência. Junho de 2008, Florianópolis.
Este é o segundo post da série ‘Pensando a Imagem’. A imagem acima foi feita na mesma praia da imagem discutida no primeiro post da série (sombra e luz, ver aqui), o que demonstra as inúmeras possibilidades fotográficas que ‘surgem’ quando saímos para fotografar com a mente aberta e um olho atento (o que nem sempre acontece, é verdade).

Combinar duas ou mais imagens é um processo que expande as possibilidades criativas e de expressão da fotografia. A fotografia, como qualquer mídia, possui limitações. Tais limitações resultam da própria natureza do processo fotográfico, que consiste no registro bidimensional de uma fração específica de espaço e tempo do mundo em um material foto sensível.


Existem inúmeros processos criativos que permitem expandir os limites da imagem fotográfica. Como exemplo, posso citar a manipulação digital, o uso de filtros ou lentes de efeitos especiais e técnicas como as múltiplas exposições. A combinação de imagens é um dos processos mais simples, porém com resultados muito interessantes. A união de duas imagens cria uma mensagem totalmente nova. Ao uni-las, estamos quase que obrigando o observador a estabelecer relações entre elas.

O processo de combinar imagens muitas vezes ocorre somente na pós-produção, quando percebemos, já em nossa mesa de luz ou monitor, que há algo unindo diferentes fotografias. Porém, é importante ter em mente a possibilidade de fazer isso ainda quando estamos atrás da câmera. Pensar em termos de combinação de imagens é expandir as possíveis mensagens que podemos comunicar e, conseqüentemente, é expandir as possíveis fotos que podemos fazer.


As imagens acima foram feitas com o propósito de combiná-las. Assim que enxerguei a plantação de ostras se estendendo pela praia e os morros ao fundo, percebi que havia algo de interessante. Inicialmente queria fotografar de modo a mostrar um ângulo maior da paisagem, fazendo uma imagem panorâmica. Quando percebi a agitação das gaivotas, porém, lembrei de uma seqüência feita por Ansel Adams, chamada Surf sequence. Você pode ver e saber mais sobre esta imagem aqui (em inglês).


Fotografei inicialmente uma cena de repouso, na foto da esquerda. Então, esperei um momento de maior tensão, que surgiu um logo em seguida, registrado na foto da direita. A combinação destas duas imagens deixou de ser uma panorâmica para se tornar uma seqüência, motivo pelo qual escolhi deixar as imagens separadas.


Acredito que a imagem tenha ganhado força justamente por este motivo. Ao invés de uma simples panorâmica, busquei transmitir uma idéia de passagem do tempo, de momentos distintos, mas também da dualidade de repouso e ação, que caracteriza a vida. O contraste entre a gaivota a esquerda, em repouso, e àquela a direita é o que mais me cativa nesta imagem.

Os morros ao fundo agem como contraponto, transmitindo continuidade e tranqüilidade. É curioso perceber também que estes parecem estar espelhados. A curva levemente ascendente de um lado é correspondida com uma curva descendente no outro. Até os morros mais claros, ao fundo, reforçam esta idéia. Isso fornece interesse ao elemento de fundo, o que é sempre positivo. Prestar atenção nos elementos que não são principais é tarefa importante e muitas vezes esquecida na hora de compor a imagem.

É provável que eu não tivesse feito essa foto se não fosse por ter admirado as imagens de A. Adams recentemente. Estudar o trabalho de outros fotógrafos é um grande aprendizado, pois, com certeza, acabamos levando suas imagens conosco, quando estamos a criar fotos.

sombra e luz

Desenho de luz. Junho de 2008, Florianópolis.

Este é a primeira postagem da série Pensando a imagem. Nesta série, pretendo argumentar um pouco sobre o processo de criação das minhas imagens, assim como abordar idéias e pensamentos que surgem da interpretação destas. Decidi criar esta série influenciado pelos artigos Thoughts and Photographs, do fotógrafo Alain Briot. Aprecie o trabalho deste fotógrafo aqui (em inglês). Espero que esta seção seja bastante interativa e ficarei feliz em receber comentários.

A foto acima foi feita num final de tarde, em uma praia de Florianópolis. O sol ainda alto projetou a sombra de uma árvore no muro da casa. O muro retangular servindo de tela para um desenho de sombra e luz. Isto me chamou a atenção. Pensei, esta é uma fotografia da fotografia, pois o que é a fotografia senão isso, um desenho do mundo feito de sombra e luz?

É curioso perceber também onde se escondem as melhores imagens. A praia estava lá, a água calma, os barcos a deriva, enfim. Nada disso rendeu, fotograficamente, tanto quanto um pedaço de muro. Como dizia Ansel Adams, “Não existem regras para boas fotos, existem apenas boas fotos”.

Apesar de não existirem regras, as melhores fotografias geralmente são aquelas que transmitem uma idéia, aquelas que comunicam. Essa idéia pode ser clara, como ocorre com a maioria das imagens do fotojornalismo. Porém pode ser algo mais sutil, que muitas vezes é difícil de expressar em palavras. Mesmo assim, é preciso que exista uma idéia na imagem, que exista um motivo pelo qual o fotógrafo resolveu isolar aquele pedaço de espaço/tempo do universo.

Todo o processo criativo e de produção/edição da imagem deve ser orientado de acordo com a idéia que a foto está tentando transmitir. Só quando sabemos o que se pretende com uma imagem é que podemos decidir o enquadramento, a combinação abertura/velocidade, o colorido ou preto e branco, entre outros.

Durante aquele pôr do sol, portanto, eu tinha uma idéia definida. Queria fazer uma referência a fotografia e a maneira como esta representa o mundo. Decidi então isolar aquele pedaço do muro, excluindo-o de seu contexto (casa, praia). Esta é outra característica do fotografar, já que fotografia é a arte da exclusão. A proximidade com o objeto também valorizou sua textura, o que ficou agradável na imagem.

As demais escolhas foram relativamente simples. Busquei uma composição que ocupasse todo o quadro, fazendo com que os galhos conduzam o olhar entre as duas extremidades. As linhas suaves e arredondadas das folhas e galhos fornece tranquilidade, o que contribuiu para a cena, acredito.

No final, acho que a imagem consegue transmitir bem minha idéia. Talvez os não fotógrafos não percebam a referência ao ato fotográfico. Porém, a 'brincadeira' entre representação e realidade fica evidente e chama atenção. Ao fotografar, seja qual for o assunto, pense: Por que quero fotografar isso? O que quero dizer com essa imagem?